Dança indígena da eleiçao

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


Índios do Distrito de Yauaretê, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), dançam em torno do avião que levou até eles os candidatos a prefeito e a vice-prefeito Pedro Garcia, da etnia Tariano, e André Baniwa, da etnia Baniwa, respectivamente. A visita ocorreu no 16/10/2008

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Fogo e fumaça


Queimadas nas proximidades de cidade de Tefé (AM), provavelmente para a abertura de roças. A queima da floresta amazônica por pequenos agricultores é comum nesta época do ano. O impacto dessa atividade é de baixa intensidade. O flagrante é do dia 15/10/2008.

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A eleição e as futuras gerações

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Wilson Nogueira*

As crianças sempre invadem os comícios. Alegres, serelepes e incansáveis, elas fazem a festa do começo ao fim, e ainda correm atrás dos carros dos políticos até perdê-los de vista. Cenas assim são mais freqüentes nas pequenas cidades, onde a campanha eleitoral, para elas, é um divertimento. Talvez seja esse o primeiro contato da maioria delas com a política partidária. Os candidatos sequer ligam para esse fato, afinal, eles brigam por votos e crianças não votam.

As crianças não votam, mas tomam conhecimento da existência da democracia pelos eventos do período eleitoral. Poucas escolas que as atendem se preocupam em ensinar-lhes os primeiros passos na política. Muitas sequer pisam, pisaram ou pisarão numa escola. Resta-lhes a aprendizagem por meio das atividades partidárias. Nessa direção, os partidos deveriam dar à campanha eleitoral um caráter mais educativo, para que a democracia seja vista como uma coisa boa às atuais e às futuras gerações.

Não é com esse tipo de preocupação que eles se apresentam. Aos menos foi o que se viu nessa e nas campanhas anteriores. O jogo democrático ainda ocorre em ambiente de muita sujeira, porque os partidos priorizam a vitória a qualquer custo. São raros os que não se orientam pela máxima de que "os fins justificam os meios", e o que resta disso é o entendimento torto da democracia. Aqui e acolá bóiam pesquisas dando conta que a população não está satisfeita com os partidos, com a política, com o legislativo nem com a democracia.

Evidentemente, que a democracia é uma conquista da sociedade e, portanto, uma instituição que precisa de aprimoramento permanente. Não se trata, claro, de uma questão apenas do âmbito dos partidos. A escola, por exemplo, deveria se empenhar mais na formação política das crianças e dos adolescentes. É difícil compreender os porquês da necessidade de tanta energia e tempo à aprovação, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, da obrigatoriedade das disciplinas Sociologia e Filosofia no Ensino Médio.

Mas, retornando aos partidos, não lhes custaria nada elevar o nível da campanha eleitoral. Trata-se uma oportunidade impar de envolvimento dos eleitores e não-eleitores na celebração do regime de governo do povo, pelo povo e para o povo, que deveria ser aproveitada, também, como forma de educação política. Nesse aspecto, a política partidária acumula um déficit social enorme, cujos malefícios se estenderão a gerações futuras.

Quem sabe não é por isso que os candidatos tentam se livrar do compromisso com o futuro quando dizem às crianças e adolescentes: "Vocês são o futuro desse País!". Ora, o futuro se constrói aqui-e-agora, com os dirigentes atuais. Isso mesmo: com os políticos que caçam votos para o próximo domingo. Por isso, é importante que o eleitor esteja consciente de que ele não vota por si só: vota, também, pelos meninos e meninas que, para garantir o futuro delas e dos outros, precisam daqueles que não lavam as mãos ao futuro.

A decisão é sua.

*Sociólogo, jornalista e escritor.

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“A decisão do Presidente Lula era a de não romper com a ordem internacional”

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


Os brasileiros nunca estiveram tão otimistas quanto agora, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), Thomas Patrick Dwyer, neozelandês que mora no Brasil há 25 anos. Ele disse que já testemunhou outros momentos de euforia em relação ao rumo do País, mas que não duravam mais de seis meses. Dwyer participou, em Manaus, no período de 16 a 19 de setembro, do 1º. Encontro da Região Norte da SBS, onde expôs as diretrizes da instituição para a divulgação da Sociologia e os desafios que os sociólogos enfrentam para interpretar as mudanças que ocorrem no mundo. Sobre a América Latina, ele disse que a região busca um novo modelo de modernidade. Confira a entrevista que ele concedeu ao repórter Wilson Nogueira:

Qual é o mercado de trabalho dos sociólogos atualmente?
Uma coisa que foi observada é que a metade das pessoas que se formou em Sociologia também se formou em outras disciplinas. Por isso, o campo de trabalho poder ser o Ensino, Administração, Direito, Geografia. Essa é uma coisa que ocorre em muitas partes do mundo, as pessoas saem (das universidades) com duas formações. Quem está formado em Sociologia, teoricamente teria mais capacidade de pensar o complexo da interação humana de maneira melhor que os outros. Agora não é uma formação de campo fechado, muito prática, a não ser que o sociólogo se forme com uma base muito forte em metodologia. Então, aí ele pode ir mais para a pesquisa, mais para o planejamento etc.

Quais os setores que mais recorrem aos sociólogos?
A Educação é a grande empregadora, no Estado ou na iniciativa privada. Isso vai mudando ao longo do tempo. Agora, com a expansão das universidades particulares, tem muita gente trabalhando no ensino privado. Então, eu diria que esse setor é o primeiro. Agora isso depende muito do lugar. Há empregos em órgãos de planejamento, há interfaces de pesquisadores e, eventualmente, nos setores que formulam políticas públicas. Agora esse é um espaço que, muitas vezes, a gente está perdendo para quem faz Administração. Isso é uma coisa que tem me preocupado bastante. Seria natural que ocupássemos esse espaço. Até o Sindicato dos Sociólogos de São Paulo, que tenta a regulamentação da profissão, quer impedir que quem não é sociólogo posso trabalhar com opinião pública. Acho isso um erro, porque, nesse momento, infelizmente, a maioria dos nossos cursos não oferece uma formação sólida das metodologias que são precisas para trabalhar com opinião pública. O Brasil tem uma peculiaridade muito grande, porque tem muita gente que se forma e passa a ocupar posições de liderança em ONGs, em partidos, sindicatos etc. Isso é uma coisa que, realmente, existe em poucos países. Já tivermos um sociólogo na Presidência da República, a Luiza Erundina, que foi prefeita de São Paulo, e por aí vai... Então o campo é um pouco isso.

Isso quer dizer que não pára por aí?
Há outros campos emergentes. O setor hospitalar, por exemplo, é um lugar extremamente complexo. No Brasil, os médicos estão tão fechados que eles acham que podem cuidar dos hospitais sozinhos. Mas eles estão sempre recorrendo aos sociólogos por causa da complexidade da atividade. Existem, também, outros campos de investigação. A gente pensa também na condição de fracasso das escolas. O sociólogo teria muito a dizer sobre a dinâmica da sala de aula, mas pouco pode fazer, porque esse problema é colocado para a Pedagogia, que está comprometida, de certo modo, com os professores, que são encarregados de desvendar os problemas. A gente tem as pessoas que se formaram em Sociologia, mas que vão fazer outras coisas, muitas vezes com forte ligação com a Sociologia, como no cinema e na Comunicação, usando toda aquela cultura que traz para tentar explicar e desvendar o mundo.

Qual o papel do sociólogo na explicação das crises mundiais, como as que derivam e derivarão das mudanças climáticas?
Tem muito sociólogo que trabalha com ONG e tenta acalmar os males do mundo. A crise, para mim, diz respeito à incapacidade de agir. As coisas estão acontecendo e eu não seu como agir. É muito mais isso do que outra coisa. A partir do momento que a gente tem uma noção de agir, a crise retrocede. As mudanças são muito mais hoje do que climáticas. Tivemos uma abertura fantástica no comércio nos últimos anos. O renascimento da China é uma coisa impressionante. Lá, 400 milhões de pessoas saíram da pobreza nos últimos vinte anos. Nunca na historia da humanidade houve uma mudança tão positiva em tão pouco tempo. Mas a China é um país de regime totalitário, essencialmente totalitário. Isso é tema, também, da Ciência Política, da Antropologia e da Sociologia. Lá, na China, eles estão usando sociólogos para analisar a complexidade. Isso depende do tipo de informação e da formação que o sociólogo possui. Obviamente, acredito que, se não for a Sociologia, qual seria a outra disciplina para explicar as crises? A Teologia? Ou seja: nós somos os únicos que tratam das complexidades das mudanças. Não é para a gente agir. É para a gente explicar para os outros de maneira clara, para que os outros tomem suas responsabilidades e atuem em suas funções.

O senhor indicaria o curso de Sociologia para jovens que buscam o mercado de trabalho?
Para o mercado de trabalho, eu não diria necessariamente. É um curso que você tem que fazer pensando em alcançar um conhecimento de nível superior de conhecimento da realidade. É para isso que se faz curso de Sociologia. Se se quer mercador de trabalho, vai virar contabilista, economista, administrador, mas certamente você não vai fazer esses cursos para alcançar um grau de esclarecimento sobre o mundo que você alcança na Sociologia. Então, é o mesmo que ocorre com o filósofo. Não se faz curso de Filosofia para alcançar o mercado de trabalho. De jeito nenhum, porque é uma disciplina que tem outras finalidades. Quando você é um filósofo bem treinado, o que é que você faz? Faz o mesmo que a Sociologia, vai para a sala de aula e ensina, mas há filósofos hoje em empresas, que trabalham com marketing, mas não em coisas mais empíricas e sim em mais conceituais, publicidade, por quê? Porque eles têm uma capacidade que outros profissionais não têm de buscar conceitos, de buscar a essência. É uma disciplina mental que leva a isso.

Quais problemas enfrentam os sociólogos como corporação?
Eu, como presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia, represento o lado científico, meu papel e de toda a diretoria da SBS é de promover a nossa ciência, e promover o conhecimento etc. Agora existe o outro lado da luta por salários e melhores condições de trabalho que tem outras agendas, que é o movimento sindical, a federação, a confederação etc. As duas associações são irmãs por natureza, mas são irmãs com interesses bastante diversos. Uma é mercado de trabalho e não, necessariamente, o conhecimento, o outro, para avançar o conhecimento e não, necessariamente o mercado de trabalho. Muitas vezes há conflitos justamente por causa dessas duas lógicas de ação.


"Morales e Chávez não são a mesma coisa. Eles são muito diferentes"
Como o senhor analisa a América Latina em relação aos governos mais à esquerda, como são os casos da Equador, do Chile, da Bolívia e da Venezuela?
Cada um desses casos é diferente um do outro. Certamente o Chile está se descolando da América Latina e vai ser tornar, dentro de pouco tempo, um país e alta renda, e tem tido um desempenho excepcional, como o na erradicação da pobreza, com medidas econômicas que podemos chamá-las de boas medidas. Isso é o resultado de uma redemocratização com governos de esquerda. O Brasil adotou muito a contragosto do próprio Partido dos Trabalhadores uma política bem parecida. Obviamente, que o nosso caminho foi muito mais sofrido devido à inflação e diante de todos aqueles problemas que tivemos por algum tempo, como o calote da dívida externa. Então foi muito difícil a integração do Brasil no bloco mundial dominante. A decisão do Presidente Lula era a de não romper com a ordem internacional, mas tentar aproveitar esse momento. Essa é uma estratégia que está se demonstrando muito bem sucedida, mesmo para os críticos dessa opção. Hoje, a gente não encontra mais ninguém colocando que deve ser dessa ou de outra maneira que vai trazer o bem-estar e a redução das desigualdades. Realmente esse momento é muito importante para o Brasil. Eu nasci na Nova Zelândia e moro no Brasil há vinte e cinco anos e nunca vi o Brasil tão otimista quanto vejo hoje. Já vi otimismo de seis meses. Mas esse está há um bom tempo e a confiança é muito grande, acho que isso está refletindo no mundo inteiro.
Bolívia. Bolívia é aquela coisa. É o País mais pobre da América Latina. O governo Morales é um resgate histórico. Agora, para mim, Morales e Chávez (presidente da Venezuela) estão jogando dentro da democracia. Quanto a Chávez, tenho as minhas reservas e acho que o povo venezuelano também. Ele está perdendo referendo e apoio popular. Acho que ele está em um caminho perigoso, está sempre buscando conflito. Mas ele fez algumas coisas muito importantes. Aquele país riquíssimo não distribuía renda, aquela pequena classe domina e deixou todo o resto empobrecido. Eu sempre recuso a idéia de que Morales e Chávez são a mesma coisa. Eles são muito diferentes, e do mesmo modo que Brasil e Chile são diferentes no modo das políticas que adotam
A América Latina hoje está num momento muito importante na sua história. Há mudança na hegemonia mundial, que não é mais hegemonia americana ou da Rússia, aquela coisa de Guerra Fria já passou. Vivemos um momento de equilíbrio e acho que isso é bastante animador.

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