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A idéia
sábado, 22 de novembro de 2008

Wilson Nogueira*
Certo dia, meia dúzia de pessoas se reuniu para propor uma celebração ao livro, aos escritores e aos leitores. Mil idéias! Poucos ou quase nenhum meios para realizá-las. De concreto, só a determinação de disseminar esse desejo e de tentar atrair os prováveis colaboradores e parceiros para materializá-lo. Mais alguns dias, mais idéias, mais pessoas dispostas a transformar o sonho em realidade.
O Festival Internacional da Floresta (Fliroresta) nasceu assim: da sinergia de diversos segmentos – estudantes, jornalistas, professores, escritores e empresários –, contagiados pelo poder mágico do livro. O esforço foi compensado. Mais de oitenta escritores brasileiros e estrangeiros participam do Flifloresta (17 a 22/12/2008).A estimativa dos coordenadores é de que mais de duzentas mil pessoas participem da programação que se estende do diálogo entre autores e leitores às sessões de filmes etnográficos. Taí! A idéia andou. Melhor dizendo: iniciou-se a caminhada para a consolidação e aprimoramento do projeto, cuja finalidade é estimular a leitura como fator de inclusão social e formação de massa crítica em benefício da Amazônia e dos povos que nela vivem. Para atiçar ainda mais a sede pela leitura, o Flifloresta distribuiu, gratuitamente, em paradas de ônibus, cem mil livros dos escritores amazonenses Thiago de Mello, Márcio Souza, Luiz Bacellar e Elson Farias. Vinte e cinco mil unidades de cada um dos títulos, cedidos pelos autores, para essa campanha de incentivo à leitura. Os leitores agradecem e querem mais.
A idéia, elaborada em uma acanhada sala da Editora Valer, transbordou e se espalhou por toda a cidade. Aliás, tornou-se uma causa da cidade (por sinal muito justa) pela vontade dos cidadãos e cidadãs que não se intimidam com os ares imperativos da palavra impossível. Impossível, agora, é não realizar esse festival nos anos vindouros. Há milhares de pessoas unidas por essa vontade de praticar o bem coletivo, e essa constatação injeta ânimo na veia de qualquer mortal.
Por fim, creio que essa história um dia será esmiuçada. Essa medida se faz necessária, porque dela emanam a perseverança e o otimismo em favor da esrança de que o livro pode mudar o mundo. E como pode.
*Jornalista, sociólogo e escritor
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literatura

Daniel Galera e Fabrício Carpinejar em sessão de autógrafo no Festival Literário Internacional da Amazônia (Flifloresta), que se realiliza em Manaus (17 a 22/12/2008), capital do Amazonas. O evento reuniu escritores de Angola, Brasil, Cuba, Colômbia, Portugal e Nicarágua.
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Flifloresta homanageia Maroaga
quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Escritores e demais participantes do Festival Literário Internacional da Floresta (Fliforesta), que se realiza em Manaus, fizeram um minuto de silêncio em respeito à memória dos índios waimiri-atroari massacrados durante a invasão das suas terras, na década de 1970. As duas etnias saíram recentemente da lista de povos ameaçados de extinção.
O ato (19/11/2008) ocorre na Cachoeira da Onça, no município de Presidente Figueiredo, durante a leitura e assinatura da Carta da Floresta, documento que reafirma compromissos em defesa da Amazônia e das suas populações. A carta foi elaborada no Simpósio de Cultura e Natureza na Amazônia, uma das atividades do Flifloresta. Manoel Moura, da etnia tucano, em nome dos escritores indígenas, homenageou Maroaga, cacique legendário dos waimiri-atroari que resistiu até a morte contra a invasão das suas terras. Moura disse que essa cachoeira era um dos lugares sagrados dos povos de Maroaga. Os sobreviventes das duas etnias, que tiveram suas terras reduzidas pela BR-174 (Manaus-Boa Vista), Hidrelétrica de Balbina e Mina do Pitinga, vivem, atualmente, em área demarcada pelo Governo Federal.
“Já começamos errado ao entrar aqui sem pedir licença ao espírito de Maroaga”, alertou Manoel Moura. Ele mencionou, também, os espíritos dos brancos (missionários, funcionários da Funai e operários) que morreram no conflito. “Esse é um momento de reflexão sobre a história recente”, explicou o escritor Tenório Telles, um dos gestores do Flifloresta.
A Cachoeira da Onça e demais patrimônios naturais do município de Presidente Figueiredo fazem parte de um projeto ecológico desenvolvido pelo Poder Público e pela iniciativa privada. Cachoeiras, cavernas, rios e igarapés não sofrerão intervenções que as descaracterizem ou possam comprometê-los ambientalmente. Esse compromisso foi reafirmado com participantes do Flifloresta.
Os dez itens da Carta da Floresta reforçam que os governos da Amazônia e as sociedades que nela e dela vivem precisam se empenhar para manter os ecossistemas amazônicos em permanente equilíbrio. Acentuam que as intervenções no ambiente social e natural, quando necessárias, devem resultar do diálogo entre a ciência e conhecimento das populações tradicionais amazônicas.
O Fliflorestra, que se encerra no sábado, conta com a participação de personalidades do Brasil e do exterior, como João Gilberto Noll, Milton Hauton, Márcio Souza, Thiago de Mello, José Eduardo Agualusa, Pepetela, Ernesto Cardenal e Miguel Cabernet.
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