SBPC e a Amazônia

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Wilson Nogueira*

A realização da 61.ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Manaus (AM) permite a divulgação do pensamento e da produção científica da e na Amazônia com alcance social inatingível pela atividade acadêmica rotineira. É uma oportunidade, também, para que milhares de pessoas envolvidas com as mais diversas áreas do conhecimento tenham contato com a diversidade biológica e cultural da região. A reunião, que concentra suas ações no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), começou no domingo e encerra-se na sexta-feira.

Os encontros da SBPC criam enorme expectativa da sociedade porque funcionam como prestação de contas dos pesquisadores, professores e estudantes à sociedade. É o meio pelo qual eles aparecem de forma democrática para dizer o que pensam e o que fazem para melhorar a qualidade de vida no e do Planeta. Criam fatos para que os meios de comunicação transmitam essas reflexões e feitos em escalas local, regional e planetária. Penso que é essa recompensa que move os dirigentes e militantes das ciências associados à SBPC a fazer reuniões anuais.

Decidir-se por ter uma cidade amazônica como sede da reunião anual talvez não tenha consumido tanta energia dos organizadores dessa reunião. Afinal, está em questão o bioma mais discutido do Planeta. A Amazônia só aguça a curiosidade científica. Realizá-la com sucesso é tarefa difícil. Além dos entraves logísticos, as cidades da Amazônia têm limitações de serviços e equipamentos públicos e privados para receber, confortavelmente, tanta gente ao mesmo tempo. Ao menos seis mil pessoas vieram de outros Estados do Brasil e de outros países para participar da reunião da SBPC em Manaus.

A Ufam, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), as secretarias estaduais Ciência e Tecnologia (Sect), da Educação e da Cultura juntaram-se à SBPC para reduzir os impactos das dificuldades e cumprir uma programação científica e cultural dinâmica, plural e abrangente em temas de relevância e interesse social. Durante esta semana a Amazônia será vista, em grande medida, pela interpretação das ciências.

É possível dizer que, na Amazônia, o pensamento e a produção científica estão entrelaçados pelos saberes e conhecimentos das populações tradicionais (índios, caboclos, seringueiros etc). Por isso, as informações que emanam dela carregam os traços da experiência humana nesse lutar tão singular para o Planeta. Imagino que a reunião da SBPC em Manaus ajudará a romper barreiras e preconceitos que impedem que a Amazônia seja vista e tratada – principalmente em termos de políticas de Estado – como região que necessita ser conhecida, também cientificamente, para ser defendida dos que lhes reserva por equívocos ou má-fé a condição de terra arrasada.

*Sociólogo, jornalista e escritor.

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