O filho curubento

sábado, 25 de julho de 2009


Neuton Corrêa*

Pela janela do 541, passei a acompanhar a mulher que caminhava na calçada, ao lado do ônibus. Tomei-a como referência para ver se ela ou a fila de carros se deslocaria mais rápido. Ora a mulher ultrapassava o ônibus, ora era ultrapassada. E assim tentei gastar o tempo enquanto o trânsito da avenida André Araújo estava travado.

A mulher que porfiava com os carros entra numa rua à direita. Perco a distração. Logo, porém, surge outra: uma moto com uma caixa de som. Trazia a voz de Zé Ramalho com a música “Admirável gado novo”. Era o tema perfeito para comparar o rebanho de carros enfileirados, tocados sabe-se lá para onde.

A moto passa. Já não tenho mais nada para enganar minha cuíra. Quando o suor começa a molhar meu pescoço, escuto, atrás de mim, uma conversa entretida. Eram duas vozes adultas. Uma delas parecia ser de uma idosa. Fiquei tentado a virar o pescoço, mas me contive para não incomodá-las.

Peguei a conversa pela metade. Elas chamavam uma para outra de vizinha. Ao me concentrar no diálogo, a voz mais velha indagava:

- Vizinha, o que a senhora está usando?
A outra responde:
- Sebo de Holanda.
- Ah! Então, a senhora vai ficar boa.
Mas a amiga discorda.
- Estou passando há dois dias e não melhorei nada.
- Não, a senhora vai ficar boa, vizinha. A senhora está emplastando bem?
- Tô!
A vizinha não se convence e insiste:
- Esse sebo que a senhora está usando é o da caixa verde? Olha, sebo bom é o sebo da caixa verde.
- É desse mesmo que eu estou usando.

A conversa continua. A vizinha mais velha faz outras recomendações, mas nada anima a parceira. Alguns dos remédios que ela receitava me fizeram lembrar o quintal de minha avó Felizbela que era cheio de planta para dor de tudo.

Lembrei, por exemplo, do mastruz, que plantava perto do banheiro, no fundo do quintal. Lembrei do rinchão, que ela cuidava numa bacia velha, perto da cozinha. Lembrei do capitiú e da árvore de sacaca, perseguidos pelos vizinhos que usavam as folhas para dar banho em curumim brabo.

Enquanto me ocupava a lembrar do quintal da vovó, ouvi a vizinha-médica buscar outra solução:
- A senhora já usou iodo?
A outra questiona:
- Iodo?
- É, iodo é bom para tudo.
A vizinha mostra interesse:
- Onde eu encontro?
- Tem no sal. Mas ninguém sabe se eles põem. Então, é melhor ir na farmácia.
Notei, pela voz, que a mais nova estava mesmo disposta a usar o produto, principalmente quando ela perguntou:

- Como eu uso isso?
- Basta colocar um pingo na água e tomar.

Ela ainda pede mais informações, mas a interlocutora dá um exemplo da própria casa.
- Olha, meu filho tomou e foi bater e ver.
- E o que ele tinha?, indaga a mais nova.
A conselheira baixou o tom da voz e sussurrou:
- Ele estava cheio de curuba, pano-branco e impinge. Tá bonzinho! Sumiu tudo!
Imaginando a pele do curubento, cheguei rápido em minha parada. Elas continuaram a conversa e a viagem. E eu desembarquei.

*Filósofo, mestrando em Sociedade e Cultura na Amazônia/Ufam.
Ilustração: Carlos Myrria.

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Lucas e Daiane

sexta-feira, 24 de julho de 2009


Neuton Corrêa*

O anúncio de Lucas me fez lembrar Daiane, que não conheci.

Lembrei de Daiane, porque o anúncio de Lucas tem me acompanhado nas últimas semanas. Em qualquer ônibus que entro, lá está, no vidro da cabine do motorista, o cartaz grudado. Ao centro, a foto dele; abaixo, vários números de telefones; acima, em letras graúdas, a palavra “DESAPARECIDO”.

Desde Daiane, havia prometido a mim mesmo que nunca mais escreveria casos desse tipo. Afinal, nos anos que se passaram, até onde acompanhei a história dela, não consigo vê-la de volta com os pães na mão, como um dia sonhei.

Mas, perseguido pelas buscas a Lucas, não resisti e, como quem tira a sorte, escolhi um daqueles números do anúncio e anotei em um pedaço de papel, com a intenção de perdê-lo, porém foi em vão.

Ontem, no entanto, ao revirar minhas coisas, encontrei o papel e não perdi tempo. No primeiro toque, alguém atendeu à chamada. Pergunto quem estava falando e a pessoa diz: “É mãe do Lucas”. A resposta e a presteza diziam tudo.

Dona Lindinalva, há quatro meses, aguarda o filho voltar para casa suado, queimado do sol e com o papagaio de papel pendurado nos dedos. Era isso que o rapaz de 17 anos fazia quando foi visto pela última vez na tarde do dia 1º de março de 2009, no Boulevard Álvaro Maio. “Ele era meu companheiro, meu amigo. Me ajude! Por favor, estou sofrendo!”

O apelo da mãe de Lucas fez rodar em minha cabeça o drama de Daiane, que nunca se apagará de minhas lembranças. Daiane saiu meio-dia para comprar pão para o almoço e não voltou mais para casa. Nem se despediu dos três irmãos pequenos dos quais tomava conta. Estava adolescente, mas a inseparável boneca e o corpo miúdo ainda a faziam criança.

Conheci sua a história por acaso. Subia para a redação, quando fui abordado por um homem baixinho e franzino na portaria do jornal onde trabalhava. Ele queria anunciar nos classificados o desaparecimento de sua filha. Disse a ele, porém, que o assunto despertava interesse jornalístico e me prontifiquei a sugerir a pauta e a fazer a matéria. E assim aconteceu.

Além do sumiço da filha, outra coisa angustiava o pai: a pergunta que passou a ouvir do filho de cinco anos todo dia. “Papai, cadê a mana?”, contou-me ele, com os olhos embaçados nos raros momentos em que deixava escapar a dor de sua alma.

Na busca por Daiane, refiz com ele o caminho que passou a percorrer de sol a sol desde que a menina desapareceu. Estava tão conhecido que por onde passava as pessoas gritavam: “E aí, encontrou?”. Ele sempre respondia: “Vou encontrar”. E foi assim nas cinco horas que acompanhei sua busca solitária.

Depois disso, retornei à casa dele para conhecer onde Daiane vivia, no bairro Nova Floresta. Tão logo escalamos o barranco onde moravam, um menino correu em nossa direção e choramingou: “Cadê a mana, pai. O senhor achou? Ela vai voltar?”. A resposta veio com desespero e lágrimas. Ninguém se conteve. E eu, até hoje, cinco anos depois, não consigo esquecer Daiane, que nem foto tinha.

PS: Quem tiver alguma informação do Lucas Nogueira, de 17 anos de idade, pode ligar para o telefone 3232-3224.

*Filósofo, mestrando em Sociedade e Cultura na Amazônia.

Ilustração: Heli.

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O vendedor de filtro

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Neuton Corrêa*

A fila do 300 se agitava como uma sucuri pronta para o ataque. Já estava grande, mas aos poucos crescia ainda mais. Eram passageiros apressados esticando o rabo da cobra grande, que aparece todo dia no Terminal da Cidade Nova (T3). Eu estava a 30 metros da cabeça da grande serpente.

Nada, porém, destoava do cenário comum do começo do dia naquele terminal. O incomum foi a presença de uma Kombi velha. Ela não estava no T3. Ficou do lado de fora. Tão logo chegou, o motorista ligou um equipamento de som montado no capô do carro e o testou, com alguns toques de dedo sobre o microfone.

Assim que vi o palco montado, sai da fila. Percebi que não fui o único. Um cidadão que carregava uma pasta preta também esperou o show. Era um rapaz que calçava sapatos bico fino, vestia calça e camisa de mangas compridas e engasgava o pescoço com uma gravata listrada.

Alguns minutos depois, mais dois veículos se juntaram à Kombi. Eram dois carros de luxo. A curiosidade aumentou. Do primeiro, desceu um homem de terno e gravata. Levantou o cós da calça, tomou o microfone, testou o equipamento, olhou para a fila do 300 e fez sinal de positivo na direção do terceiro veículo.

A esta altura, amigos do busão, eu também já estava agoniado para saber que tipo de espetáculo sairia de lá, quando, finalmente, surge a estrela da festa. Reconheci na hora.
Era um vereador: pele clara, louro e óculos fundo de garrafa. Sua fala nem parecia discurso político. Comunicava-se como se estivesse fazendo uma homília.

Lembro-me, ainda muito bem, do primeiro tema da pregação daquele vereador. Começou atacando o transporte coletivo de Manaus. Repetiu várias vezes que era preciso quebrar a caixa preta da planilha. E, olhando para os ônibus que saíram superlotados, dizia que aquilo era uma humilhação.

Ao tocar em outro assunto, o problema da falta d’água na Zona Norte da cidade, notei que os olhos do meu parceiro de terminal que segurava a pasta, brilharam. Tudo que o vereador falava, ele concordava. Tanto que o flagrei, várias vezes, erguendo o braço para socar o ar, em gesto de protesto.

O parlamentar também ficou animado com a empolgação do rapaz. Ao terminar seu pronunciamento, dirigiu-se ao público e fez uma provocação: “Quem quiser fazer uso da palavra, poder vir que o microfone é democrático”. Mal fechou a boca, o moço da pasta levantou o braço e gritou: “Eu quero falar”.

Esperei para ver. Afinal, há décadas a Zona Norte sofre com falta d’água. Assim que tomou a palavra, discursou: “É verdade, o vereador tem razão. Temos que resolver o problema da água e eu tenho a solução”.

Em seguida, ele pediu ao vereador que segurasse o microfone. Nessa hora, a plateia estava curiosa. De repente, ele abre a pasta, tira um objeto branco, levanta-o e diz: “Esta é a solução. É o Multi 1.500. Mais do que um filtro. É um processador de água. Vou atender aqui mesmo no terminal, na fila do 300”.

Desapontado, o parlamentar desmontou o palanque.

*Filósofo, mestrando em Sociedade e Cultura na Amazônia.
Ilustração: Homahs

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Quem se importa?

quarta-feira, 22 de julho de 2009


Ivânia Vieira*

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado ontem, em Brasília, expõe uma das maiores tragédias brasileiras: a morte como herança deixada a centenas de adolescentes e jovens.

Se olharmos, de forma mais cuidadosa, os jornais de hoje, é possível perceber nas matérias e/ou nas fotografias o retrato, em 3x4, desse infortúnio. Separada por editorias, a tragédia se realiza voraz e silenciosamente, como se uma notícia em ‘Política’ não tivesse elo com a de ‘Cidades/Polícia’, lugar onde essas informações circulam.

É um recorte dessa terrível história brasileira que ora está sendo apresentado por esse estudo feito por meio do programa Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens. A existência do instrumento, hoje, talvez seja a notícia boa, pois permite à sociedade ter em mãos uma amostra de um drama nacional. Eles são 33 mil adolescentes que, de acordo com o IHA, serão assassinados entre 2006 a 2012, se não mudarem as condições de vida nas cidades em que vivem. O trabalho coordenado pelo Observatório de Favelas é fruto de uma iniciativa conjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj).

Integram a sondagem 267 municípios com mais de 100 mil habitantes. No Norte do País, Marabá, no Pará, aparece em pior situação. O IHA da cidade é de 5,2 vidas perdidas tendo como motivação a violência. Manaus, Boa Vista, Rio Branco e Belém apresentam níveis intermediários de um a três adolescentes assassinados em cada grupo de 1.000. Não há política pública para essa população. Há um atentado, diariamente realizado. A omissão é quase generalizada.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação da Ufam.

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O mundão da telinha

Wilson Nogueira*

Zapeando, vê-se de tudo um pouco. A TV é show. É dez! É espetáculo por excelência. Não importa se a imagem é de um velório ou de um clip de Michael Jackson. O choro feliz ou desgraçado é um show. Zapear significa andar meio sem rumo nesse espetáculo formidável. Zapeando, encontrei o prefeito Amazonino Mendes despedindo-se do ex-governador Gilberto Mestrinho. A frase boiou meio embargada: “Foi-se embora um pedaço de mim!”. A telinha faz a gratidão se transformar em espetáculo. O charme dela atrai até ingratos. Dá pra vê-los e ouvi-los a todo instante. Que o Boto tenha o eterno descanso!

Zapeando, deparei-me com um sujeito boa-pinta que foi preso porque queria aparecer na TV. Genial! Um parêntese, por favor? Concedido o parêntese: (É atribuída a Amazonino uma frase maldosa sobre a função da TV: “A televisão é uma máquina de enganar trouxa!). Fechado o parêntese. Continuemos no caso assaltante boa-pinta. O sujeito foi preso no Centro de São Paulo suspeito de tentar assaltar pedestres com uma arma de brinquedo. Ao delegado, ele confessou que fez um assalto inútil: o assaltado lhe entregou carteira vazia.

Feita a ocorrência, o cara foi solto. Na saída, deu de peito com uma equipe de TV. Queria por que queria ser entrevistado. Outro parêntese, por favor. Concedido o parêntese: (Lembrei que um amigo de Manuel Bandeira, o pesquisador Edson Nery da Fonseca, disse, na Feira Literária de Parati (Flip), que o poeta costumava repetir que não se importava de ser traduzido, lido, publicado e fotografado). Parêntese fechado. Continuemos com o sujeito boa-pinta. Ele não conseguiu a entrevista, mas acabou entrando no noticiário como o ladrão que só queria aparecer na TV.

Zapeando, dei de cara com um pregador cristão de altos decibéis. Penso: será que ele acha que o telespectador é surdo? Justiça seja feita: na hora de colher a oferta eletrônica, o pregador troca o tom agudo e estridente por sussurrar mavioso. A TV é um ambiente mágico – e de mágica também. Vou para outro canal. Sarney, sem tremer uma ruga da testa, dita lições sobre a economia mundial. “Leio mal em inglês, por isso acompanho a crise mundial pelos jornais europeus. Tá sabendo que os remédios da economia clássica ainda não produziram bons resultados”. Análise perfeita. E a crise do Senado?

Rodei o botão dos canais e o soltei aleatoriamente. Olha só: lá está a imagem do boa-pinta, em câmera lenta, sorrindo. A peripécia dele é motivo de um debate entre especialista em comportamento humano. Não, essa não! Mudei novamente de canal. Barco naufraga, na Amazônia, com 180 pessoas a bordo. Uma morreu. Milagre! Sorte! Fatalidade! Azar!. Isso mesmo: desta vez, no rio Negro, bem pertinho do porto de Manaus. A primeira informação é de que o barco estava superlotado. Quantos mais naufragarão, hein?

Um parêntese, por favor? Concedido o parêntese: (A TV é show e, talvez, até máquina de enganar trouxa. É verdade. Mas é verdade, também, que ela presta enorme serviço à população. São frequentes as reportagens, muitas delas em nível nacional, sobre a insegurança da navegação nos rios da Amazônia. O alerta, entretanto, não comove os que lucram colocando em risco a vida alheia).

Não há mais clima para zapear.

*Sociólogo, jornalista e escritor.

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107 leituras!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Michelle Portela*

Prenez soin de vous (Cuide de vós) foi o título da carta de rompimento de um namoro de sete anos que Grégoire Boullier escreveu para Sophie Calle, aquela que fez valer a máxima de que pior do que uma mulher ressentida, só um homem humilhado. E foram 107 vezes que essa humilhação ocupou a cabeça do escritor. Desiludida, a artista conceitual francesa mais importante da atualidade pediu que diversas mulheres interpretassem a tal carta do seu namorado escritor para uma exposição, revelada na Bienal de Veneza de 2003. A rigor, transformou o título da carta em tema de obra de arte.

Advogada, médica, atriz, cantora, pianista, bailarina, cozinha, palhaça, profissionais outras somaram-se até fechar o círculo em torno da carta. Algumas dóceis, outras bravas, sempre brutais. “107 terríveis vezes”, reclamou Grégoire durante o reencontro público com a ex-namorada na Festa Literária de Paraty (Flip), com quem dividiu uma mesa de discussão só para maiores.

Ela, a bela artista. Ele, mais uma vez “O convidado surpresa”, título do livro que lançou quase ao mesmo tempo em que a exposição alcançou o ápice do sucesso na França. Surpresa mesmo foi encontrar esse escritor inúmeras vezes caminhando em ruas feitas para mim, com um sorriso cortado por um cigarro nos lábios, com leves sinais de embriaguez.

Descobrir Grégoire denuncia porque Sophie quis vingar-se. “O convidado surpresa”narra os acontecimentos em torno do primeiro encontro com Sophie. Como ritual, a artista realizava uma festa de aniversário em que convidava o número exato de pessoas correspondente à sua idade, mais uma que representaria o ano que estaria por vir. Cada linha sem parágrafos do livro que se lê em poucos fôlegos não mostram nada do cenário, mas encadeiam os pensamentos e sentimentos tidos e vividos naqueles momentos.

A partir dele, me perguntei a respeito da exploração da intimidade com finalidades artísticas para perceber que meu questionamento pouco importava, já que a arte nunca é sobre o público ou o privado. A arte é sempre sobre a interioridade de um sujeito. Por isso mesmo, entre a arte e a vida, escolheria a segunda. Nem ele, muito menos Sophie são vítimas de seus trabalhos.

Amante, escritor, jornalista, andarilho. Grégoire é um sujeito que entrou para a minha vida como um indivíduo capaz, inclusive, de reconhecer-se a si próprio como alguém. Ao ler a carta, comoveu-me como ele admitia amar três outras pessoas além de Sophie, sendo, por isso, incapaz de oferecer fidelidade. Coloquei-me a pensar se seria capaz do mesmo: reconhecer e admitir tal circunstância. Já sei, porém, que ele tem muito a me ensinar.

"Não importa quem, somos personagens do romance de nossa própria existência."
Grégoire Boullier

*Jornalista, mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia.

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