Ivânia Vieira*

Há 14 dias**, professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão em greve. A suspensão das atividades faz parte de um movimento nacional cada vez mais representativo. São 48 instituições federais das quais 44 universidades, de um total de 59 paralisadas. A adesão progressiva ao movimento mostra um outro nível de compreensão da categoria quanto à necessidade de fazer valer compromissos e garantir conquistas.

É um retumbante sim à greve. Não pelo esvaziamento do espaço universitário e às férias antecipadas. Há uma postura de maturidade por parte da categoria nascida como resistência ao processo de decadência a que está sendo submetida a profissão de professor/a. O governo ampliou as responsabilidades e a carga de trabalho enquanto manteve encolhidas e precarizadas as condições de trabalho.

Do ponto de vista salarial, professores universitários têm rendimento achatados e congelados por longo período. Quando reunidos, esses dois indicadores compõem um cenário crítico. Não apenas para professores/as, pessoal administrativo e marítimo, mas à sociedade. É ela, em última instância, a vítima maior das ações de aniquilamento da educação superior.

A responsabilidade de uma instituição federal de educação está historicamente concebida no ensino, na pesquisa e na extensão.

São professores/as, independente do sol, da chuva, aqueles que multiplicam as pernas, os braços e ampliam o olhar para fazer assegurar a manutenção desses pilares nos meios urbano ou rural.

São professores/as que carregam os estudantes nessas andanças em nome da obtenção do conhecimento científico, da busca de qualificação nesse aprendizado.

São investimentos diário e anônimo numa formação técnica e humanística feitos ora nas salas de aula, nos laboratórios ora nos seminários, fóruns e ciclos de debates.

São professores/as que, mesmo na adversidade, nos revelam caminhos e oportunidades desde o capítulo inesquecível de um livro, a fala de esperança em meio a uma aula dada, até à monografia, à dissertação, à tese ou a alegria pelo primeiro artigo científico publicado.

A greve é o grito para além das paredes em nome da dignidade de ser professor/a neste País.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

**Publicado em 30.05.2012, no jornal A CRÍTICA.