A artinite (português europeu) ou artinita (português brasileiro) é um mineral secundário incomum pertencente à classe dos carbonatos, quimicamente classificado como um carbonato hidratado de magnésio com iões de hidróxido, cuja fórmula química estrutural é expressa como Mg2(CO3)(OH)2·3H2O. Descoberto no ano de 1902 pelo cientista italiano S.C. Luigi Brugnatelli nas minas de Valmalenco, este espécime mineralógico foi batizado em homenagem a Ettore Artini, um distinto professor de mineralogia da Universidade de Milão e diretor do Museu Cívico de História Natural da mesma cidade. Do ponto de vista estético e morfológico, a artinite é amplamente apreciada por museus e colecionadores devido ao seu hábito cristalino acicular único, caracterizado pela formação de agregados globulares, crostas fibrosas ou esferas radiadas compactas que se assemelham a pequenos pompons de seda branca. Estas formações ostentam um brilho vítreo a sedoso, exibem uma cor que varia do branco puro ao cinzento esbranquiçado, e contrastam de maneira marcante com as matrizes rochosas escuras de serpentinito onde habitualmente se desenvolvem e se fixam na natureza. Em termos de propriedades físicas e cristagráficas, a artinite cristaliza no sistema monoclínico, pertencendo à classe prismática 2/m com o grupo espacial C2/m, apresentando uma estrutura molecular caracterizada por cadeias lineares de octaedros de coordenação de magnésio interligadas por grupos de carbonato planos e moléculas de água fortemente unidas por ligações de hidrogénio. É classificada como um mineral extremamente macio, tenro e leve, registando uma dureza de apenas 2,5 na escala de Mohs — o que significa que pode ser riscada facilmente com a unha — e uma densidade relativa baixa, oscilando rigorosamente entre 2,01 e 2,03 g/cm3. Os seus cristais individuais são tipicamente transparentes a translúcidos, têm um índice de refração biaxial negativo com forte birrefringência, e produzem uma risca puramente branca quando friccionados contra uma placa de porcelana fosca. Adicionalmente, o mineral possui uma clivagem perfeita paralela ao plano ótico, uma fratura irregular a estilhaçável e uma tenacidade extremamente frágil, o que inviabiliza por completo o seu uso na lapidação de gemas facetadas para a indústria de joalharia, restringindo o seu valor económico e comercial puramente ao mercado científico e de colecionismo mineralógico de alta gama. O ambiente geológico propício para a génese da artinite restringe-se a zonas de alteração hidrotermal de baixa temperatura e a processos químicos de meteorização superficial de rochas ultramáficas ricas em olivina e piroxena. Ela ocorre quase exclusivamente preenchendo fraturas texturais, filões tardios e cavidades miarolíticas em complexos de serpentinitos alterados, surgindo frequentemente associada a uma paragénese mineral específica de outros compostos magnesianos secundários como a hidromagnesite, a brucite, a dipingite, a aragonite, a calcite e a magnetite. A sua localidade-tipo original situa-se na região da Lombardia, em Itália, mas espécimes de qualidade internacional excecional são extraídos historicamente na Mina de Amianto de Jeffrey, no Canadá, e no Condado de São Bento, na Califórnia, Estados Unidos. Recentemente, a termodinâmica da artinite — que sofre desidratação e descarbonatação térmica sequencial libertando água e dióxido de carbono quando submetida a temperaturas superiores a 352 °C — tornou-se alvo de intensos estudos geoquímicos focados na mitigação das alterações climáticas através da geossequestração, avaliando a precipitação artificial deste mineral como uma solução tecnológica viável para a fixação mineral permanente e estável do carbono antropogénico.

Referências