Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha (Porto, 13 de fevereiro de 1933 – Cascais, 5 de julho de 2016) foi um jornalista, professor e escritor português. Destacou-se na época anterior e posterior ao 25 de Abril de 1974, tendo sido um nome de destaque na defesa da liberdade de imprensa e distinguido com o prémio World Press Freedom Hero. Trabalhou na redação de diversos jornais, como O Primeiro de Janeiro, Diário Popular e Diário de Lisboa, e foi ainda fundador do jornal Tempo (1975) e cofundador do Correio da Manhã (1979) . No ensino, Nuno Rocha foi diretor da Escola de Jornalismo da Universidade Independente e lecionou tanto em Portugal como em Espanha.

Vida pessoal Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha nasceu no Porto, a 13 de fevereiro de 1933, e morreu a 5 de julho de 2016, aos 83 anos, no hospital de Cascais. Foi uma das personalidades mais marcantes do mundo do jornalismo, área na qual exerceu durante 16 anos, enveredando depois para o ensino da mesma, na Universidade Independente. Escreveu ainda diversas obras. Nuno Rocha foi uma figura reconhecida internacionalmente pelo empreendedorismo e irreverência jornalística, que marcaram o meio do jornalismo.

Contextualização histórica Nuno Rocha viveu num dos períodos mais agitados da história portuguesa – o 25 de Abril de 1974 –, tendo-se revelado uma figura ativa na turbulência pré, durante e pós-revolução. Na sequência do seu forte posicionamento político e convicção nos seus princípios, o jornalista foi preso no dia 13 de abril de 1975, pelo COPCON, durante 17 horas, em Caxias, por ter tentado fundar o jornal Tempo. A sua posterior libertação reforçou a sua posição como defensor da autonomia e liberdade de imprensa.

Carreira jornalística Nuno Rocha iniciou a sua carreira jornalística em 1954, no diário O Primeiro de Janeiro, onde trabalhou durante seis anos. Posteriormente, trabalhou em mais redações do Diário Ilustrado, Diário Popular e Diário de Lisboa, onde escreveu as edições de domingo e conheceu o jornalista Francisco Pinto Balsemão. Após o 25 de Abril de 1974, Nuno Rocha era caracterizado como um jornalista conservador e controverso, que desempenhou um papel importante na renovação da imprensa portuguesa. A 29 de maio de 1975, fundou o jornal Tempo, assumindo a função de diretor. O jornal distinguiu-se pela sua linha editorial e ideológica de centro-direita, marcada pela defesa da liberdade de expressão, numa época em que existia uma forte polarização política em vésperas do “Verão Quente”. O Tempo alcançou uma grande influência e chegou a vender mais de 100 mil exemplares semanais, criando uma forte concorrência com outros jornais como o Expresso e o Jornal, tornando-se uma das principais referências da imprensa portuguesa, num período pós-revolução. Em 1979, Nuno Rocha foi também um dos fundadores do diário Correio da Manhã, juntamente com Carlos Barbosa e Vítor Direito, que futuramente veio a afirmar-se como um dos jornais mais populares do país. Para além da sua atividade jornalística, desempenhou várias funções em diversas organizações de imprensa, como a Associação de Jornalistas Europeus, o Sindicato Nacional dos Jornalistas e a Casa da Imprensa.

Carreira no ensino Após ter vendido o jornal que fundou, Tempo,, Nuno Rocha foi diretor da Escola de Jornalismo da Universidade Independente, onde foi também professor de unidades curriculares ligadas ao jornalismo e, em 1996, fundou a revista Media XXI. Posteriormente, lecionou também em Espanha.

Reconhecimento Nuno Rocha foi jornalista, com uma importância incomum no processo da liberdade de imprensa durante o Governo do Estado Novo. Destacou-se, sobretudo, com a fundação do jornal Tempo em maio de 1975 , na ajuda ao Correio da Manhã em 1979 e, devido ao seu papel como presidente da Associação de Jornalistas Europeus e dirigente do Sindicato Nacional dos Jornalistas e da Casa da Imprensa. Ficou reconhecido a nível nacional e, apesar de ter morrido há 11 anos, em 2016, continua a ser um nome citado em muitas ocasiões. A sua atuação foi preponderante e necessária, chegando a fazer frente a um governo autoritário e repressivo, existente no país anteriormente, que usava os jornais como principal meio de propaganda do regime, lutando pela liberdade e imparcialidade da imprensa. No ano de 2000, foi-lhe atribuído o prémio World Press Freedom Hero pelo International Press Institute, devido ao seu contributo na promoção da liberdade de imprensa durante o Estado Novo, ajudando a tornar os media neutros e objetivos. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembra Nuno Rocha como “um nome incontornável na história do jornalismo português” e anuncia que este “teve um papel muito importante na construção de um país plural, livre e democrático depois da Revolução de Abril”. Na opinião de Rebelo de Sousa “Nuno Rocha deixa a sua marca na imprensa e, através dela, em particular do Tempo, perpetua a sua memória na sociedade portuguesa”.

Prémios World Press Freedom Hero, atribuído pelo International Press Institute.

Obras • França - A Emigração Dolorosa (Lisboa, 1965); • Guerra em Moçambique: Um repórter na zona dos combates (Lisboa,1969); • Memórias de um ano de revolução: Itinerário de um jornalista em luta por um jornal (Lisboa, 1975); • O jornalismo como romance: Pessoas e paisagens (Lisboa, 1983); • Timor-Timur: 27.a Província da Indonésia (Lisboa, 1987); • Timor – O fim do Império (Lisboa, 1999).

Legado O legado de Nuno Rocha baseia-se na modernização da imprensa portuguesa pós-25 de Abril, através da criação de meios de comunicação que marcaram uma era e contribuíram para a amplificação mediática em Portugal. A fundação do semanário Tempo, em 1975, é reconhecida como um marco no jornalismo nacional, pela forma como introduziu novas dinâmicas editoriais e abriu caminho a modelos de jornalismo de opinião e de mercado no período democrático. Sob a sua direção, o Tempo chegou a vender mais de 100 mil exemplares, tornando-se um dos semanários mais influentes da época. Além do seu trabalho como editor, Nuno Rocha destacou-se como formador e impulsionador de profissionais, tendo deixado uma influência duradoura nas gerações seguintes de jornalistas. O reconhecimento público e institucional que recebeu reforça a importância do seu contributo para a liberdade de imprensa e para a estruturação dos media portugueses.

Referências