Durante décadas, falar em sedan médio no Brasil era quase sinônimo de falar em Honda Civic, Nissan Sentra e, principalmente, em Toyota Corolla . A receita parecia pronta: bom espaço interno, conforto, confiabilidade , consumo razoável e uma mecânica conhecida . Só que o mercado mudou , a eletrificação ganhou força e apareceu uma nova geração de carros chineses disposta a mexer justamente onde o Corolla parecia “reinar” confortavelmente. Foi justamente por conta da mudança de cenário que a r eportagem do CT Auto passou um mês com o BYD King GS , um híbrido plug-in que chegou ao Brasil com uma proposta bastante diferente da que estamos acostumados a encontrar entre os sedans médios. Depois de conviver diariamente com o carro, ficou claro que a BYD não tentou apenas criar mais um concorrente para o Corolla . O King foi pensado para convencer o consumidor de que talvez já seja hora de procurar outra referência: um novo “rei” . A pergunta que ficou depois de algumas semanas de uso foi inevitável: o BYD King realmente conseguiu destronar o Corolla? A resposta não está apenas nos 235 cv de potência combinada , nos 7,3 segundos para chegar aos 100 km/h ou na possibilidade de rodar utilizando eletricidade. Ela está na experiência de usar o carro todos os dias , no trânsito, na estrada, na hora de abastecer e, principalmente, na sensação de dirigir um sedan que parece ter sido projetado para uma época diferente. BYD King GS: primeiro contato engana, e isso é bom O King não é um carro pequeno . São 4,78 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 2,72 m de entre-eixos. Mesmo assim, ele não passa aquela sensação exagerada de sedan grande. A posição de dirigir é confortável e o espaço interno é suficiente para levar quatro adultos com bastante tranquilidade. No banco traseiro, o bom entre-eixos ajuda a deixar a experiência mais agradável para quem não está ao volante. O porta-malas também merece destaque . São 450 litros , capacidade suficiente para a rotina familiar e para uma viagem sem precisar escolher demais o que vai ou não entrar. O tanque de combustível tem 48 litros e o carro utiliza pneus 215/55 R17. São números que ajudam a entender por que o King funciona tão bem como carro de uso cotidiano , mesmo sendo um híbrido plug-in. O que muda de verdade ao dirigir um híbrido plug-in A primeira grande diferença aparece logo nos primeiros quilômetros . Com a bateria carregada, o King pode rodar como um carro elétrico em boa parte da utilização cotidiana . O silêncio do motor elétrico e a resposta imediata do acelerador mudam completamente a relação com o trânsito e aumentam o prazer em dirigir. É aqui que a proposta do sistema DM-i começa a fazer sentido. O motorista não precisa ficar escolhendo o tempo inteiro qual motor deve funcionar . A eletrônica administra o conjunto e permite aproveitar a eletrificação no dia a dia , enquanto o motor 1.5 aspirado entra em cena quando necessário. Na versão GS, o motor elétrico entrega 197 cv e o conjunto chega a 33,2 kgf/m de torque , com potência combinada de 235 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,3 segundos. Saímos de São Paulo para Jundiaí com carga completa e tanque cheio Um dos testes mais interessantes realizados durante esse período começou justamente fora da rotina. A reportagem do CT Auto saiu de São Paulo com destino a Jundiaí com a bateria completamente carregada e o tanque cheio. A ideia era simples: começar a experiência com as duas fontes de energia disponíveis e observar como o carro se comportaria durante o percurso. O mais interessante não foi simplesmente saber quantos quilômetros o King conseguiria percorrer . Foi perceber como a combinação entre os dois sistemas tira do motorista aquela preocupação comum de escolher entre eficiência e autonomia. Se a eletricidade acaba, existe gasolina . Se há carga disponível, o sistema pode explorar o motor elétrico . É uma lógica bastante diferente da de um carro elétrico puro e, ao mesmo tempo, muito distante de um híbrido convencional. BYD King na cidade: como é rodar sem um pingo de gasolina Depois de um mês , ficou claro que a melhor forma de avaliar o King não é olhar apenas para um número isolado de consumo. O resultado depende diretamente da frequência com que o proprietário consegue recarregar a bateria e do tipo de trajeto que realiza. Quem consegue carregar o carro em casa e utiliza o King principalmente na cidade tem uma vantagem enorme, pois é possível rodar sem gastar um pingo de gasolina em trajetos urbanos, desde que não exceda o limite da bateria. A versão GS tem bateria Blade de 18,3 kWh e autonomia elétrica de 78 km pelo ciclo PBEV , segundo a ficha técnica da BYD. A marca também informa autonomia combinada de até 1.200 km no ciclo NEDC , menos exigente que o aferido pelo Inmetro. São números de laboratório e, portanto, não representam necessariamente o que será obtido em todas as condições de uso. King dá "surra tecnológica" no Corolla É claro que a expressão é uma provocação, mas existe uma razão para ela aparecer nesta análise. O Corolla continua oferecendo um pacote tecnológico relevante, incluindo central multimídia de 10 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio e, nas versões mais equipadas, sistemas do Toyota Safety Sense e serviços conectados. O King GS , porém, coloca uma quantidade bastante grande de recursos no pacote e, depois de um mês de convivência, é difícil não perceber essa diferença . O Corolla aposta em uma evolução cuidadosa de uma fórmula conhecida. O BYD, por outro lado , parece querer fazer o motorista perceber que está diante de um produto de uma nova fase da indústria . Entre os principais recursos estão: Potência aparece mais do que você imagina Se a proposta fosse apenas economizar combustível, talvez o desempenho não fosse uma das primeiras coisas a comentar. Mas o King GS surpreende justamente porque não se comporta como um carro que está o tempo todo preocupado em economizar. São 235 cv de potência combinada e 33,2 kgf/m de torque , números que fazem o sedan responder rapidamente quando o motorista pisa mais fundo. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 7,3 segundos, segundo a ficha técnica oficial. Na prática, isso significa que ultrapassagens e retomadas acontecem com facilidade. O King não precisa ser conduzido com cuidado por conta da "ansiedade de recarga" e, de quebra, quando o motorista decide exigir mais do conjunto, entrega desempenho de sobra . E o conforto? Aqui o King mostra porque é o "Rei" Um sedan não pode depender apenas de potência ou tecnologia para conquistar o consumidor. Depois de passar um mês com o King, ficou claro que o conforto é uma parte importante da proposta da marca para o carro conseguir, enfim, destronar o Toyota Corolla para se tornar o "Rei" dos sedans. A suspensão tem comportamento voltado para o uso cotidiano e o silêncio proporcionado pelo funcionamento elétrico deixa o trânsito muito menos cansativo. O projeto do sedan chinês também se mostrou ajustado na estrada , tanto no quesito conforto quanto na dirigibilidade. A distância entre eixos de 2,718 metros contribui para o espaço interno, enquanto a suspensão dianteira McPherson e a traseira por barra de torção formam uma configuração relativamente simples, mas adequada à proposta do sedan. O que não gostamos no BYD King Nenhuma avaliação de carro, seja ele qual for, pode ser levada 100% a sério se o analista considerar apenas os pontos positivos. Por conta disso, é obrigação do CT Auto destacar quais características podem ser melhoradas pela marca para tornar a convivência com o sedan ainda mais agradável. Uma delas é o tamanho. Os 4,78 metros de comprimento não chegam a transformar o King em um carro difícil de dirigir, mas exigem atenção em vagas menores e em algumas manobras urbanas. É o preço a pagar por ter um sedan espaçoso, confortável e com um bom porta-malas. A interface e a quantidade de recursos tecnológicos exigem um período de adaptação . Quem está acostumado a um carro mais tradicional pode precisar de algum tempo para entender a lógica de funcionamento e encontrar determinados comandos. É aquele tipo de situação em que a tecnologia é interessante, mas poderia ser mais intuitiva . Afinal, o BYD King destronou o Corolla? Depois de um mês, a experiência do CT Auto mostra que a resposta depende do que o motorista espera de um sedan . Se a referência for apenas confiabilidade , tradição e facilidade de revenda, a história é outra . Mas se a comparação considerar tecnologia , eletrificação, desempenho, conforto e a possibilidade de reduzir drasticamente o uso de combustível no dia a dia, o King muda a conversa . E talvez seja justamente esse o maior mérito do BYD King . Ele não precisa provar que o Corolla é um carro ruim . Muito pelo contrário. O Toyota construiu sua reputação justamente porque entregou durante anos aquilo que o brasileiro esperava de um sedan médio. O King chega dizendo que essas expectativas mudaram. Depois de um mês de convivência , de diferentes situações de uso e da viagem entre São Paulo e Jundiaí com carga completa e tanque cheio, a conclusão é que o King não destronou o Corolla por simplesmente ser "melhor". Ele fez algo mais importante: mudou os critérios que fazem muita gente escolher um sedan . E, quando o consumidor começa a considerar silêncio , desempenho, possibilidade de rodar no modo elétrico, tecnologia e autonomia total antes mesmo de pensar na tradição da marca, o reinado de um ícone como o Toyota Corolla, que parecia consolidado , deixa de ser tão incontestável . * A unidade do BYD King testada pelo [object Object] para esse review foi gentilmente cedida ao [object Object] pela [object Object] . O preço médio em setembro de 2026 para a versão GS é de R$ 166.990 [object Object]

Review BYD King: passamos 1 mês com o híbrido que "destronou" o Corolla
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BYD King (capa review)
BYD King (capa review) · Imagem: Paulo Amaral/Canaltech
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