Uma estátua que chora é uma imagem religiosa que supostamente derrama lágrimas ou chora por meios sobrenaturais. Fenômenos como estátuas que choram lágrimas que parecem ser sangue, óleo e líquidos perfumados já foram relatados. Outros fenômenos atribuídos a estátuas que choram incluem curas milagrosas, a formação de figuras nas linhas das lágrimas e o aroma de rosas. Esses eventos são geralmente relatados por católicos e inicialmente atraem peregrinos, mas na maioria dos casos são desmentidos por autoridades religiosas por serem comprovadamente fraudes. Um número muito pequeno de estátuas que choram foi reconhecido pela Igreja Católica, por exemplo, em Siracusa, em que o derramamento de lágrimas de uma estátua da Virgem Maria na casa de um casal entre os dias 29 de agosto e 1.o de setembro de 1953, foi reconhecido pelos bispos católicos da Sicília em 13 de dezembro de 1953. O químico Luigi Garlaschelli, da Universidade de Pavia, que não examinou a estátua, que está atrás de um vidro, todavia teoriza que as lágrimas se deviam à atração capilar com a umidade que se infiltra através de uma falha no esmalte da estátua de gesso.
Na antiguidade No livro de Daniel da Septuaginta (Daniel 14:1–21), o episódio de Bel e o Dragão, que faz parte dos textos deuterocanônicos, mostra o profeta Daniel provando que os sacerdotes estavam entrando furtivamente nos templos para comer as oferendas deixadas aos pés da estátua do ídolo Bel. Esta estátua era venerada por sua aparente capacidade de consumir comida e bebida:
Plutarco menciona estátuas que choram ou exsudam sangue e suor em sua compilação "Vidas Paralelas", escrita por volta do ano 100. No capítulo dedicado à figura de Coriolano, ele menciona o episódio da estátua da deusa Fortuna que dirigiu-se à multidão de Roma:
Em aparições marianas
As estátuas que choram são geralmente esculturas da Virgem Maria e, por vezes, acompanhadas de relatos de aparições marianas. Um exemplo notável é a natureza das aparições de Nossa Senhora de Akita, que foi diferente de outros casos, pois toda a nação japonesa supostamente pôde ver a estátua da Virgem Maria derramar lágrimas durante uma transmissão em televisão nacional.
Boatos e ceticismo As autoridades da Igreja Católica têm sido muito cuidadosas na sua abordagem e tratamento das estátuas que choram e, geralmente, estabelecem barreiras muito elevadas para a sua aceitação. Por exemplo, quando uma estátua do popular São Pio de Pietrelcina, em Messina, na Sicília, foi encontrada com lágrimas de sangue num dia de 2002, as autoridades eclesiásticas ordenaram rapidamente testes que mostraram que o sangue pertencia a uma mulher e, em seguida, descartaram o caso como uma farsa. As estátuas que choram também foram descartadas pelos racionalistas como um fenômeno puramente psicológico e/ou fraudulento. Diz-se que as testemunhas são iludidas pelo seu próprio estado de espírito ou por forte sugestão de grupo. Nesse estado de espírito alterado, elas acreditam ver algo que não está realmente lá. Os céticos apontam para o fato de que fazer uma estátua falsa que chora é relativamente fácil. Líquidos podem ser injetados no material poroso das estátuas e posteriormente vazar como "lágrimas". Óleo misturado com gordura pode ser aplicado nos olhos de uma estátua, que "chorarão" quando as temperaturas ambientes aumentarem na capela. Os céticos forneceram exemplos de estátuas que choram que eram obviamente farsas. Outra explicação provável atribui as chamadas lágrimas à condensação. As lágrimas que as estátuas parecem verter são, na verdade, gotas de condensação, explicadas pelo facto de a estátua ser feita de material de densidade variável, com a condensação a formar-se nas partes mais densas (mais frias), neste caso, os olhos. Diversas estátuas que choram foram declaradas falsas por autoridades católicas. Em 1985, foi relatado que uma estátua em Montreal estava chorando e sangrando, porém descobriu-se que a estátua estava coberta com o sangue e creme de barbear do proprietário.
Em 1995, uma estátua da Virgem Maria supostamente chorou sangue na cidade italiana de Civitavecchia. Cerca de 60 testemunhas afirmaram ter visto o fenômeno. O bispo local disse que ele próprio a tinha visto chorar. O sangue na estátua foi posteriormente identificado como sendo de um homem. O proprietário da estátua, Fabio Gregori, recusou-se a fazer um teste de DNA. Após o caso de Civitavecchia, dezenas de estátuas supostamente milagrosas foram relatadas. Quase todas se revelaram fraudes, nas quais sangue, tinta vermelha ou água eram jogados nos rostos das estátuas. Em 2008, Vincenzo Di Costanzo, um zelador de igreja, foi julgado no norte da Itália por falsificar sangue em uma estátua da Virgem Maria quando seu próprio DNA foi comparado ao sangue. Em 2018, na igreja de Nossa Senhora de Guadalupe em Hobbs, Novo México, foi relatado que uma estátua de Maria estava produzindo lágrimas. Em julho daquele ano, a Diocese de Las Cruces revelou que testes confirmaram que as lágrimas tinham, na verdade, a composição química de azeite de oliva com aroma de rosas.
Ícones que choram Pinturas ou ícones que choram são um fenômeno relacionado, mas até hoje nenhum caso de pintura que chora foi aprovado pelas igrejas católica ou copta e a maioria dos casos acabou sendo considerada fraude. No entanto, na ortodoxia oriental, alguns casos, como um ícone de São Miguel que supostamente chorou em Rodes, foi considerado milagroso. Tal como acontece com as estátuas que choram, diz-se frequentemente que as lágrimas exsudadas são de uma substância que parece ser semelhante a sangue. Diz-se que uma pintura da Virgem Maria exsudou umidade pelos olhos e pelos dedos na Igreja Ortodoxa Albanesa de São Nicolau em Chicago, a 6 de dezembro de 1986. O evento ganhou atenção internacional e atraiu muitos espectadores à igreja. A umidade cessou em julho de 1987, mas recomeçou um ano depois, altura em que se diz que outros 19 ícones também começaram a chorar depois de terem sido "ungidos" com a umidade da pintura. As autoridades da igreja recusaram-se a permitir que as "lágrimas" fossem analisadas por químicos. Diz-se que uma pintura da Virgem Maria em contraplacado chorou a 10 de março de 1992 em Barberton, Ohio; peregrinações anuais celebrando o evento ainda eram praticadas até 2002. Outra pintura da Virgem Maria que atraiu muitos visitantes ao Mosteiro de Cristo das Colinas perto de Blanco, Texas, na década de 1980, dizia-se que chorava mirra, mas foi descoberta como uma fraude na década de 2000.
Outros fenômenos semelhantes
Além do derramamento de lágrimas, ao longo da história houve relatos de imagens religiosas que emitiram fenômenos semelhantes ou relacionados, como o fenômeno de "transpiração" ou a emanação de óleo, sangue, água ou outras substâncias, incluindo mel. Um caso particularmente famoso da sua época foi o fenômeno ocorrido na primavera de 1795 em Santa Cruz de Tenerife, na Espanha. Uma representação de um busto de Jesus Cristo, localmente invocado como o Senhor das Tribulações, começou a "suar" quando foi transferido para a casa de uma família rica na cidade para curar a matriarca da família de uma doença. Outro caso semelhante de "suor milagroso" que também ocorreu na ilha espanhola de Tenerife é o da imagem ou pintura de São João Evangelista venerada na igreja paroquial de La Concepción de San Cristóbal de La Laguna. O fenômeno ocorreu durante uma epidemia de peste bubônica que atingiu a ilha em 1648. Casos mais recentes incluem: uma imagem de Cristo crucificado em Tucumán, Argentina, que deixou escorrer um líquido avermelhado pelas Cinco Chagas Sagradas, identificado como sangue, no ano de 2011. No Brasil, há o caso de uma imagem da Virgem de Fátima que exala óleo e mel desde 1993 até o presente.
Ver também Crucifixo chorando em Mumbai Miroblitismo Nossa Senhora do Mel Nossa Senhora de Soufanieh Normas para proceder no discernimento de presumidos fenômenos sobrenaturais
Referências
Ligações externas Italian Committee for the Investigation of Claims on the Paranormal Arquivado em 2011-05-21 no Wayback Machine (em inglês) Photographs of statues claimed to be weeping (em inglês) James Randi, Investigating Miracles, Italian-Style Scientific American, fevereiro de 1996 [1] (em inglês) Church Says Weeping Statues Fake Arquivado em 2013-07-07 no Wayback Machine (em inglês) "The 'new' idolatry" Joe Nickell investiga e expõe inúmeras fraudes envolvendo estátuas que choram. (em inglês) Why does The Madonna Weep? Arquivado em 2010-10-24 no Wayback Machine (em inglês)