José Gomes da Encarnação (Monchique, Monchique, 19 de Março de 1911 – Faro, 20 de Setembro de 1959) foi um sacerdote português, que ficou conhecido pela sua carreira na região do Algarve.
Biografia Nasceu em 19 de Março de 1911, na vila, freguesia e concelho de Monchique, filho de Maria Rosalina Coutinho Gomes, também natural de Monchique (aldeia dos Casais), e do comerciante Manuel da Encarnação Gomes, natural de Odemira (freguesia de São Teotónio). Foi aluno no Seminário Diocesano de Faro, tendo-se ordenado ali como presbítero em 31 de Julho de 1933. Iniciou depois a sua carreira dentro da organização católica na região do Algarve, inicialmente como auxiliar do bispo D. Marcelino Franco. Exerceu como pároco nas freguesias de Vila do Bispo, Sagres, e Raposeira, tendo sido encarregado destas três últimas em 23 de Dezembro de 1938, São Pedro, em Faro, desde 27 de Fevereiro de 1939, e de São Marcos da Serra, para a qual foi nomeado em 1942. Teve um papel destacado principalmente nesta última, onde conseguiu um certo rejuvenescimento da vida religiosa, após vários anos sem ter um pároco. Também foi prior da paróquia de São Brás de Alportel, e padre comissário da venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Faro. Exerceu igualmente como professor no Seminário de Faro, e desenvolveu consideravelmente a catequese naquela cidade, que transformou num importante centro de formação católica. Foi responsável pela organização de várias festas e romarias, e dinamizou os congressos diocesanos, mariano e eucarístico em Faro e Portimão. Deixou igualmente uma importante obra assistencial em Faro, onde foi capelão no Refúgio Aboim Ascensão, e criou um centro paroquial para os mais desfavorecidos. Quando a Diocese do Algarve foi a primeira a organizar oficialmente peregrinações diocesesanas ao Santuário de Fátima, o Padre José Gomes da Encarnação foi um dos principais coordenadores destes encontros, tendo sido igualmente um dos mais maiores promotores para a romagem da Virgem Peregrina de Fátima ao Algarve. Em 1931 tornou-se administrador do jornal Folha do Domingo e gerente da Tipografia União, que imprimia aquele periódico, tendo sido responsável por um grande desenvolvimento daquela casa editorial, reforçando o seu papel como órgão noticioso da igreja católica no Algarve. Morreu em 20 de Setembro de 1959, no hospital de Faro, aos 48 anos de idade, após ter sido ferido num acidente automóvel, quando se dirigia à Pousada de São Brás de Alportel. O funeral foi organizado no dia seguinte, na Igreja Matriz de São Pedro, e o corpo foi depositado no Cemitério da Esperança, em Faro. Na sequência do seu falecimento, o jornal Correio do Sul publicou uma nota de pesar, onde o recordou como um «sacerdote modelar» e um «cidadão prestantíssimo». O jornal Folha do Domingo também lamentou a sua morte, tendo-o classificado como «uma figura verdadeiramente extraordinária de algarvio e de sacerdote», que «foi um dos colaboradores mais dedicados da hierarquia, um algarvio e um sacerdote que, nas mais difíceis e complexas circunstâncias e vicissitudes, não deixou de lutar pelo triunfo da causa de Deus e pelo bem da sua diocese». A sua morte foi noticiada pelo Diário de Lisboa e por vários periódicos regionais, como o Boletim do Farense, Comércio de Portimão, A Voz de Loulé, Notícias do Algarve e Povo Algarvio. Os jornais Correio do Sul e Folha do Domingo organizaram uma recolha de fundos para a construção de um monumento em homenagem a José Gomes da Encarnação, no local onde tinha sofrido o acidente automóvel que lhe tirou a vida. Este monumento foi inaugurado em 20 de Setembro de 1961, precisamente dois anos após o falecimento, tendo sido concebido pelo arquitecto Alfredo Carlos Vilares Braga.
Referências